Apesar das plantas não possuírem um sistema nervoso extremamente desenvolvido e organizado em diferentes tecidos e em sistemas, como no animais, estas tem apresentam a células nervosas: com a capacidade de inverter o potencial de membrana e produzir um potencial de acção. Este mesmo potencial de acção é extremamente importante, em organismos como a Mimosa pudica, de modo a produzirem-se respostas fisiológicas (como os movimentos násticos ou mesmo diversos trofismos).
O conceito de sistema nervoso em plantas, foi começado a ser trabalho por Burdon Sanderson (1873) e Charles Darwin (1875): descobriu
potenciais de acção em folhas de Dionaea (“planta carnívora”). Com a utilização de eléctrodos em feixes condutores da planta, descobriram uma corrente eléctrica (causada pelas diferenças de potenciais eléctricos). Por sua vez, Sibaoka (1996) e Pickard (1973) afirmaram que os potenciais de acção (a tal corrente eléctrica já registada por Darwin) seriam utilizados em
respostas fisiológicas. Para além disto, afirmou que os mesmos estímulos nervosos seriam de certa forma homólogos aqueles que ocorrem nas células nervosas dos animais. Foi já com Schroeder, Hedrich & Ferandez (1984) que foi possível concluir que a formação desta "corrente eléctrica" (potenciais de acção) seriam responsáveis por montar e regular determinadas respostas fisiológicas desta a um dado estímulo do meio ambiente.
Mas afinal de contas, qual a importância de um sistema nervoso em plantas? A resposta surge de forma óbvia: para montarmos respostas fisiológicos extremamente rápidas que permitam compensar a falta de mobilidade da planta face ao meio ambiente (plasticidade metabólica). Um dado estímulo do meio-ambiente vai provocar a despncentração de uma dada hormona) será montada, resultando numa resposta fisiológica extremamente coordenada por parte de todo o organismo vegetal olarização (inversão da condutância iónica por parte de canais iónicos específicos) e assim formar um potencial de acção que irá levar a informação do tal estímulo, a toda a planta. Após isto, a resposta efectora (por exemplo, o aumento da co- o potencial de acção funciona apenas como um "simples" e rápido mensageiro, sem apresentar a capacidade de por si só, resolver o "problema".
Este sistema nervoso das plantas, apresenta características extremamente semelhantes àquelas encontradas em animais, como algumas perfeitamente antagónicas. Apresentam um potencial limiar (responsável pela chamada lei do tudo ou nada), uma amplificação do sinal nervoso ao longo do organismo por processos vegetais (que não envolvem consumo de ATP) e a capacidade de uma comunicação célula-a-célula extremamente rápida, tal como nos animais. Por outro lado, as plantas apresentam um período refractário bastante mais longo que estes e os canais iónicos envolvidos não são os de Sódio e Potássio, mas os de Cálcio, Cloro e Potássio.
A comunicação nervosa, a nível "local", utiliza a via simplástica e a utilização dos plasmodesmos (integração metabólica) da mesma. Quando a resposta se quer mais generalizada, são utilizados os elementos crivosos dos vasos floémicos como meios de comunicação. De referir também que, nas células "sensores" (que recebem o estímulo) o estímulo para além de apresentar a necessidade de se apresentar com intensidade suficiente para ultrapassar o potencial limiar, deve ser duplicado (apenas possível num estímulo contínuo), o que permite a montagem de uma resposta fisiológica em situações de real importância.
No floema, os potencias de acção passam de elemento para elemento crivoso, utilizando transportadores iónicos específicos. Para além disto, é de extrema importância que os fotoassimilados apresentem pouca resistência a este impulso eléctrico. O facto mais interessante é que homologamente às bainhas de mielina nos neurónios animais, as células vegetais apresentam esclerênquima que restringe a passagem da informação nervosa das células de companhia para o floema (sendo feita apenas em "pontos" específicos).
Por fim, é importante referir que todo o processo é dependente da existência de canais iónicos nas células vegetais. Sendo esta capacidade de alterar a condutância iónica a determinados iões que permite produzir os tão importantes potenciais de acção. De referir também que a importância de grande quantidades citoplasmáticas de cálcio que irá obrigar este impulso a percorrer a via simplástica (devida à libertação destes pelos plasmodemos, utilizados na integração metabólica entre células distintas).
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domingo, 4 de dezembro de 2011
"Sistema Nervoso" nas Plantas
Etiquetas:
Fisiologia Vegetal
Local:
Braga, Portugal
sábado, 19 de novembro de 2011
Potencial osmótico da Água
Podemos definir o potencial químico da água como a energia livre
de um mol de água capaz de realizar trabalho, isto é, a medida de energia livre
produzida por unidade de volume. Esta é influenciada pelos potenciais: osmótico, pressão e de gravidade.
- Potencial osmótico:
Este potencial representa o efeito de determinada
concentração de solutos dissolvidos numa dada quantidade de água.
Podemos deduzir que o aumento da concentração de solutos
diminui o potencial osmótico da água, uma vez que: os solutos reduzem a energia
livre da água através da sua diluição. Como este potencial se relaciona directamente
com o potencial químico da água, podemos afirmar que o aumento de solutos
diminui o potencial osmótico químico da água.
- Potencial de pressão:
O potencial de pressão, representa o efeito da pressão a
qual o sistema está sujeito e o valor pode ser negativo ou positivo:
Pressão
positiva faz aumentar o potencial de pressão;
Pressão negativa
faz diminuir o potencial de pressão e é denominada por tensão.
O movimento da água ocorre sempre de locais com pressão
positiva para locais com pressão negativa (do maior potencial para o menor),
isto é, a pressão tende sempre a compensar a tensão. Esta é a “regra” que faz a
água circular pelo interior dos tubos xilémicos desde a raiz da planta (pressão
positiva, pela entrada de água) até às folhas das mesmas (onde ocorre a
chamada, tensão superficial causada
pela transpiração foliar).
- Potencial de gravidade:
Reflecte o efeito da gravidade a que uma determinada solução
está sujeita. Este potencial só tem real influência em árvores de grande porte.
Como tal, a nível celular é desprezado para as considerações do potencial
químico da água.
No solo, o principal componente da entrada da água na raiz é
o potencial de pressão (o potencial do soluto só tem real influência em solos
salinos). Este, será decrescente ao longo da planta, de modo a que o movimento
da água seja ascendente (lembrar que, a água movimentasse sempre do maior
potencial de pressão para o menor). Apenas respeitando estas considerações termodinâmica é que a planta consegue transportar eficazmente água sem consumir energia e sem um sistema de propulsão próprio.
Transporte de Água
O transporte de água é um transporte passivo, isto é,
respeitando as leis da termodinâmica leva a que seja levada sempre para regiões
de menor energia livre (para não termos de adicionar energia externa ao sistema
biológico). Isto é, podemos dizer que os fluxos de água ocorrem sempre de zonas
com maior energia potencial, para zonas onde essa mesma energia potencial é
menor (processo espontâneo);
Podemos dividir o transporte em três diferentes tipos: diusão, fluxo em massa e osmose.
- Difusão:
Ocorre um movimento aleatório (Browniano) das moléculas de água , respeitando sempre um
gradiente de concentração: da maior concentração de soluto, para a menor
concentração. Isto é, há a tentativa do sistema, de forma passiva (sem consumo
de ATP) , a atingir o equilíbrio químico no que toca à concentração do soluto
em questão.
Podemos definir então que, a taxa de
difusão é proporcional à diferença de concentração para um determinado soluto.
Como tal, este será um mecanismo extremamente importante a pequenas distâncias,
mas algo lento a distâncias longas.
- Fluxo em massa:
Ocorre o movimento de água mediante um gradiente de pressão, não
existindo assim, o fornecimento de energia ao sistema, para que este movimento
ocorra. Este é o principal mecanismo do transporte de
pelos vasos xilémicos da planta e, pelo qual, água vai desde as raízes (absorvida no solo) até aos
diferentes tecidos vegetais.
- Osmose:
Este mecanismo, implica o movimento de água através de uma membrana, recorrendo aos
gradientes de concentração e de pressão.
Em tecidos vegetais, este processo ocorre
essencialmente com o auxílio das aquapurinas (conjunto de proteínas intrínsecas
que funciona como um canal selectivo de moléculas de água).
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Fisiologia Vegetal,
Transporte de Água
Água: "Recurso chave" das células vegetais
A água é o principal constituinte
das células vegetais. Ela é responsável por muitas reacções que nela ocorrem
uma vez que se comporta como meio de reacção e como um excelente solvente,
proporcionando assim o ambiente necessário para a movimentação das várias
moléculas no interior das células. Para além disto, a água tem um papel importantíssimo em vários
processos fisiológicos e estruturais como o crescimento e no alargamento
celular, nas trocas gasosas nas folhas, em vários processos de transporte e até
na estabilidade mecânica de tecidos não lenhificados (turgência das células
vegetais).
Como tal, é necessário
que os organismos vegetais (que ao contrário dos animais, não tem um sistema
cardiovascular) façam chegar água a todas as partes do seu organismo com o
consumo mínimo de energia. O que à primeira vista parece ser um complexo
problema de termodinâmica revelasse uma manobra inteligentíssima que explora as
características físico-químicas da água.
A água, é constituída
por um átomo de Oxigénio e dois de Hidrogénio, por ligações covalentes formando
uma molécula com a forma de um tetraedro (ângulo de 104,5˚ devido aos electrões
não-ligantes do oxigénio). O átomo de Oxigénio é muito mais electronegativo do
que os dois átomos de hidrogénio o que dá uma das características mais
importantes desta molécula: assimetria
eléctrica, ou seja, dipolo eléctrico. Esta característica é responsável por:
- Atracções electrostáticas entre diferentes moléculas de água;
- Formação de pontes de hidrogénio;
- Bom solvente de grupos iónicos e de solventes polares: redução das repulsões electrostáticas das cargas das mesmas, aumentando assim a sua solubilidade (neutralização das cargas iónicas e das moléculas polares);
- Propriedades térmicas essências à vida;
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Transporte de Água
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